
Vinho Chablis explode no Brasil, e o segredo está no nome
Mesmo custando acima de R$ 250, o vinho Chablis teve alta de 70% no Brasil. Descubra o que explica essa febre e qual degrau provar primeiro.
O vinho Chablis está protagonizando uma das histórias mais estranhas do mercado brasileiro. É um branco francês caro, que raramente chega às prateleiras por menos de R$ 250. Mesmo assim, as vendas da região para o Brasil subiram 70% em volume nos últimos dois anos. O salto foi tão rápido que analistas passaram a chamá-lo de Efeito Chablis. Hoje, o país já recebe 89% de todo o vinho que a Borgonha manda para a América do Sul. A explicação, porém, não está só na taça.
Um vinho que se pede sem medo
Pense na última vez que um nome francês travou sua voz diante do garçom. Com Chablis, isso não acontece. Representantes da região admitem que essa facilidade faz parte do sucesso, porque pedir uma taça exige menos coragem que encarar outros rótulos da França. Nos Estados Unidos, a palavra virou sinônimo de branco seco. Num mercado que ainda acha vinho complicado, o vinho Chablis se vende pelo nome tanto quanto pelo conteúdo. E o conteúdo ajuda. A região fica no extremo norte da Borgonha e faz brancos só de Chardonnay, em solos ricos em calcário. O resultado é um vinho fresco, de acidez viva e toque salino, justamente o estilo que o público mais jovem tem procurado.
Qual vinho Chablis abrir primeiro
Por trás de um nome só, existem quatro vinhos bem diferentes. O Petit Chablis vem de vinhedos periféricos e é o degrau de entrada. Logo acima está o Chablis, responsável pela maior parte da produção. Depois surgem os Premiers Crus, de vinhedos selecionados, e os Grands Crus, de apenas sete parcelas numa mesma encosta. Não por acaso, a região escolheu os dois primeiros degraus para conquistar os brasileiros. Na TodoVino, a Louis Jadot oferece quase toda essa escada, do Petit Chablis ao Blanchot Grand Cru, com o Fourchaumes Premier Cru no meio do caminho. Abrir dois degraus na mesma noite é a forma mais divertida de descobrir o que o terroir muda na taça.
A região que não consegue crescer
Existe um detalhe que ameaça esse sucesso. Os produtores afirmam que não há como plantar novos vinhedos no ritmo da procura. Enquanto isso, safras menores, agravadas pelas mudanças climáticas, empurram os preços da Borgonha para cima. No Brasil, os impostos altos pioram a conta. O acordo entre Mercosul e União Europeia promete alívio, mas as condições ainda estão sendo negociadas. Na prática, a procura cresce e as garrafas não se multiplicam.
O vinho Chablis ganhou o Brasil pelo nome fácil. Quem vai além do rótulo descobre que a parte mais interessante começa depois da primeira taça.
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Este conteúdo é uma interpretação do material original. Para mais detalhes, consulte a fonte: Bloomberg Línea — Imagem: CRÉDITOS
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