
Coleção de vinhos de Stalin vai a leilão na Geórgia
A coleção de vinhos de Stalin tem 40 mil garrafas e vai a leilão. Entenda o que há na adega de Tbilisi e por que o dinheiro vai virar escola de vinho.
A coleção de vinhos de Stalin reúne cerca de 40 mil garrafas raras francesas e georgianas, e o governo da Geórgia decidiu leiloá-la. A informação foi divulgada pela Reuters. A adega, em Tbilisi, foi aberta ao público nesta semana pela primeira vez, e parte dos rótulos remonta ao início do século 19.
O que existe na coleção de vinhos de Stalin
O acervo não começou com o ditador. Boa parte vem da chamada coleção imperial dos Romanov, com vinhos de propriedades célebres de Bordeaux que pertenceram ao tsar Alexandre III e ao filho dele, Nicolau II. Depois da Revolução Russa de 1917, as autoridades soviéticas confiscaram esse conjunto. Stalin, nascido na Geórgia e líder soviético entre 1924 e 1953, era colecionador declarado e foi acrescentando à adega os vinhos georgianos que preferia.
O resultado é uma sobreposição incomum de duas lógicas de gosto no mesmo espaço. De um lado, o repertório aristocrático europeu do século 19. De outro, a produção local de um país que reivindica ser o berço do vinho, com evidência arqueológica de 8.000 anos ininterruptos de vinificação.
Por que o leilão importa para o mercado
O dinheiro arrecadado vai financiar a criação de uma escola de vinho na Geórgia, o que dá ao leilão uma função menos decorativa. Irakli Gilauri, da Gilauri Wines, trabalhou com o ministério da Agricultura georgiano no projeto e resumiu o objetivo: colocar a Geórgia no mapa dos colecionadores.
Faz sentido comercial. A Geórgia tem tradição milenar e uvas próprias, mas pouca presença no circuito de garrafas de altíssimo valor, onde França e Itália dominam. Um lote com procedência histórica rara resolve um problema de visibilidade que campanhas de marketing raramente resolvem sozinhas.
Resta a incerteza sobre a condição das garrafas, e ninguém sabe ainda o que sobreviveu a décadas de guarda. O colecionador americano Victor Chen, que veio de Dallas para ver o acervo, comparou a experiência a entrar numa caverna sem saber se há algo lá dentro. Para vinhos com dois séculos, o risco é parte do preço.
Se a Geórgia ainda não está na sua lista, essa é uma boa desculpa para abrir uma garrafa de lá.
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Este conteúdo é uma interpretação do material original. Para mais detalhes, consulte a fonte: The Drinks Business — Imagem: Adobe Stock via tarczas
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