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Château Lafite 1870 bate recorde em leilão 156 anos depois

Château Lafite 1870 bate recorde em leilão 156 anos depois

O Château Lafite 1870 quebrou dois recordes mundiais em leilão na Sotheby’s após quase um século esquecido num castelo escocês. Entenda por que vale tanto.


Em abril de 2026, dois magnums de Château Lafite 1870 foram vendidos por US$ 306.250 na Sotheby’s de Nova York, quebrando o recorde mundial duas vezes em menos de quatro minutos. O que torna esse resultado ainda mais improvável é a história por trás das garrafas: elas passaram quase cem anos esquecidas no porão de um castelo escocês, consideradas imbebíveis pelo próprio homem que as comprou.

O Château Lafite 1870 não é apenas um vinho antigo. É um documento de uma viticultura que não existe mais.

Por que o Château Lafite 1870 é tão raro

A filoxera foi uma das maiores catástrofes da história do vinho. O inseto, originário da América do Norte, atacou as raízes das videiras europeias a partir da segunda metade do século XIX e destruiu extensões inteiras de vinhedos em Bordeaux e em outras regiões do continente. A solução encontrada foi enxertar as castas europeias sobre porta-enxertos americanos resistentes, prática que permanece até hoje.

Esse processo mudou a biologia das videiras. Muitos enólogos e estudiosos acreditam que os vinhos produzidos antes dessa transformação tinham um caráter distinto, que não pode ser reproduzido. O Château Lafite 1870 é considerado um dos últimos grandes exemplares dessa era. Produzido a partir de videiras não enxertadas, em um ano de colheita antecipada após um verão extremamente quente, ele representa um estilo de Bordeaux que desapareceu junto com os vinhedos originais.

Safras como 1870 e 1865 aparecem em leilão uma ou duas vezes por década, segundo especialistas da Sotheby’s. No formato magnum, de 1,5 litro, são ainda mais escassas.

O castelo, o porão e um século de espera

O 13º Conde de Strathmore comprou 48 magnums do Château Lafite 1870 e os armazenou no porão do Castelo de Glamis, na Escócia, em 1878. O vinho era tão adstringente que o conde não gostou e praticamente não o tocou. Quando morreu, seus sucessores simplesmente deixaram as garrafas onde estavam.

Michael Broadbent, fundador do departamento de vinhos da Christie’s, descobriu as garrafas quase por acidente durante uma visita ao castelo antes de um leilão em 1971. O que encontrou surpreendeu: rolhas íntegras, nível perfeito de líquido, cor profunda e, ao provar, nenhum sinal de oxidação. O vinho estava em condições notáveis para sua idade. Broadbent descreveu o porão como uma “caverna de Aladim.”

Cinquenta anos depois, os dois magnums leiloados na Sotheby’s vieram desse mesmo lote original. A previsão de venda era de até US$ 50.000 por garrafa. O primeiro foi arrematado por US$ 106.250. Minutos depois, o segundo atingiu US$ 200.000 em uma disputa entre compradores por telefone e online. O leilão completo, com mais de 250 lotes de Bordeaux de dois séculos, somou US$ 2,1 milhões, com 100% dos lotes vendidos.

O que resta numa garrafa de 156 anos

Jason Tesauro, sommelier e escritor que provou um Château Lafite 1870 em um evento privado em 2023, descreveu a experiência como uma memória sensorial que poucos vinhos conseguem deixar. O que surpreendeu os presentes foi encontrar fruta real, não ecos ou sombras de fruta, mas o insumo original ainda reconhecível após mais de 150 anos.

Esse é o paradoxo do vinho muito antigo e muito bem conservado: ele não é degustado pela beleza da juventude, mas pelas marcas de um tempo que nenhuma nova garrafa pode conter. Para os colecionadores que participaram do leilão, o Château Lafite 1870 representa duas coisas ao mesmo tempo: um ativo de valor e uma janela para uma forma de fazer vinho que o mundo perdeu para sempre.

Leia também: Vinhos do Languedoc: os rótulos franceses que conquistaram o mundo

Este conteúdo é uma interpretação do material original. Para mais detalhes, consulte a fonte: CNN — Imagem: francis92 via Adobe Stock

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