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Descubra o que o calor faz com o vinho para cozinhar, o que olhar no rótulo e por que a garrafa cara raramente compensa na panela.

Como escolher vinho para cozinhar sem desperdiçar dinheiro

Descubra o que o calor faz com o vinho para cozinhar, o que olhar no rótulo e por que a garrafa cara raramente compensa na panela.


A regra que você provavelmente ouviu sobre vinho para cozinhar está errada. Aquela frase de que só se deve usar o que você beberia é bonita, mas imprecisa. Ela sugere que a qualidade se transfere intacta da garrafa para a panela, e não é isso que acontece. O que existe é uma faixa útil: abaixo dela o prato piora, acima dela você está queimando dinheiro.

Entender por onde passa essa faixa exige saber o que o calor faz com a bebida.

O que o calor destrói e o que ele concentra

Os aromas mais delicados de um bom rótulo são compostos voláteis. Voláteis significa que evaporam, e é exatamente isso que fazem nos primeiros minutos de fogo. Aquele perfume de flor branca, de frutas frescas, tudo que faz alguém pagar caro por uma garrafa some antes de você mexer a panela pela terceira vez.

O que fica é a estrutura: acidez, açúcar residual e taninos. E aqui está a parte que interessa: o calor não neutraliza esses elementos, ele os concentra.

Um tinto tânico e verde transforma um ragu em algo adstringente. Um vinho adocicado, muito comum na prateleira brasileira de entrada, entrega um prato salgado com fundo doce que ninguém pediu.

O que realmente importa na escolha do vinho para cozinhar

É mais simples do que parece. Procure a palavra seco no rótulo, obrigatória na classificação brasileira, e fuja da palavra suave, que indica mais de 25 gramas de açúcar por litro. Na prática, isso significa deixar de lado o tinto de mesa de garrafão e o vinho vendido em caixinha. O teto é bom senso: um vinho de 40 reais e um de 200 chegam ao prato quase iguais, porque o que diferencia o segundo é justamente o que o fogo leva embora primeiro.

Para carnes vermelhas, ragus e reduções, um tinto de corpo médio e tanino discreto resolve. Merlot, Sangiovese e Garnacha jovem são apostas seguras.

Para risotos, frutos do mar, aves e molhos com creme, procure um branco seco e ácido. Sauvignon Blanc, Pinot Grigio ou um Vinho Verde cumprem bem a tarefa. A acidez é a razão de estarem na receita: ela corta gordura, deglaça a panela e levanta o prato. Acidez alta você identifica pelo clima da região e pelo teor alcoólico. Origem fria e álcool até 12,5% quase sempre significam vinho ácido, que é o que você quer aqui.

Um alerta específico do mercado brasileiro. Os produtos vendidos como vinho de cozinha parecem a escolha óbvia porque o nome diz isso, mas costumam vir carregados de sal e conservantes. Você perde o controle do tempero antes de começar a cozinhar, e nenhuma receita se recupera bem disso.

E quando a receita não vai ao fogo?

Se a receita não cozinha, a lógica se inverte. Peras em tinto sem cozimento, granizado de espumante, sabayon frio ou uma calda que só reduz na geladeira entregam o vinho praticamente como ele saiu da garrafa. Não há evaporação para perdoar nada e não há concentração para disfarçar. Nesses casos a regra popular finalmente acerta: use o que você beberia, porque é literalmente isso que a pessoa vai provar.

Cozinhar com vinho não é um ato de generosidade com o prato. Você está adicionando ácido, álcool como solvente de aroma e um pouco de estrutura. Escolha pensando nessas três funções e o resto da prateleira deixa de importar.

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Este é um artigo original do O Cabernerd, um blog da TodoVino — Imagem: Camela via Adobe Stock

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