
Harmonizações nos primórdios: o vinho na antiguidade
Descubra como eram as harmonizações nos primórdios da civilização. Entenda a relação histórica entre vinho, comida e cultura muito antes da era moderna.
Entender como funcionavam as harmonizações nos primórdios exige uma viagem de milênios ao passado. A relação entre comida e bebida nas civilizações antigas diferia muito da nossa busca moderna por notas aromáticas precisas. Naquela época, a união desses dois elementos servia principalmente a propósitos de sobrevivência, saúde e rituais religiosos. O conceito de prazer gastronômico existia, mas obedecia a regras distintas.
O líquido consumido por gregos e romanos raramente aparecia puro nas taças. Ele era frequentemente diluído em água e misturado com mel, resinas ou especiarias variadas. Essa mistura alterava completamente o paladar da bebida e exigia acompanhamentos específicos. Pratos intensos eram necessários para equilibrar essas bebidas potentes e muitas vezes oxidadas.
A dieta e as harmonizações nos primórdios
A base da alimentação mediterrânea incluía pão, azeite, queijos salgados e vegetais. Esses alimentos pediam bebidas que limpassem o paladar e ajudassem na digestão. O onipresente garum, um molho de peixe fermentado e muito salgado usado em Roma, dominava os pratos principais. Para contrapor esse salgado intenso, os romanos frequentemente optavam por vinhos com dulçor residual elevado.
Médicos da antiguidade, como Galeno, também influenciavam as harmonizações nos primórdios. Eles acreditavam que o vinho “quente” auxiliava na digestão de carnes pesadas e gordurosas. Portanto, a escolha do estilo da bebida dependia frequentemente da constituição física do comensal. A saúde ditava a regra na mesa tanto quanto o sabor.
Nos famosos simpósios gregos, a bebida fluía principalmente após a refeição principal. Mesmo assim, petiscos conhecidos como tragemata circulavam constantemente entre os convidados. Figos secos, favas torradas e castanhas ajudavam a absorver o álcool. O objetivo era manter a conversa viva e prolongar a disposição dos participantes durante a noite.
Observar as harmonizações nos primórdios revela a incrível evolução do nosso paladar coletivo. Deixamos para trás a necessidade de mascarar defeitos da bebida com especiarias para abraçar a pureza da fruta. Contudo, a essência de reunir pessoas em torno da mesa permanece inalterada. Hoje celebramos essa rica história a cada nova garrafa que abrimos.
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Este é um artigo original do O Cabernerd, um blog da TodoVino
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