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Como a expansão urbana cercou uma vinícola histórica

Como a expansão urbana cercou uma vinícola histórica

Descubra como uma vinícola histórica argentina fundada em 1884 resistiu à expansão urbana e se tornou um polo cultural no coração de Mendoza.


Imagine caminhar por ruas movimentadas, entre edifícios e comércios, e encontrar uma vinícola com paredes de mais de um século. Essa é a realidade da Escorihuela Gascón, uma vinícola histórica argentina que nasceu no campo e hoje existe no centro urbano de Mendoza. Sua trajetória revela como o crescimento de uma cidade pode engolir paisagens rurais sem apagar sua identidade.

A vinícola histórica argentina que viu a cidade chegar

Em 1884, o imigrante espanhol Miguel Escorihuela Gascón fundou a bodega em uma área que, naquela época, era cercada por vinhedos e terrenos agrícolas. Mendoza ainda crescia como polo vitivinícola, e a propriedade ficava afastada do núcleo urbano. Ao longo das décadas seguintes, porém, a cidade se expandiu de forma acelerada.

A urbanização de Mendoza ganhou força no início do século XX. Ferrovias, estradas e novos bairros residenciais avançaram sobre áreas antes dedicadas ao cultivo de uvas. A bodega, que um dia olhava para parreirais em todas as direções, passou a dividir espaço com casas, escolas e avenidas. Esse processo não foi exclusivo de Mendoza. Outras regiões vinícolas ao redor do mundo enfrentaram pressão semelhante, mas poucos casos são tão emblemáticos.

Como Mendoza cresceu ao redor da bodega

O fenômeno tem raízes na própria vocação da cidade. Mendoza se consolidou como capital do vinho argentino e, com isso, atraiu população e infraestrutura. Entre as décadas de 1940 e 1980, o perímetro urbano se expandiu significativamente. Bairros inteiros surgiram em áreas que antes abrigavam vinhedos.

Escorihuela Gascón resistiu no mesmo endereço. Sua estrutura original, construída em estilo neorrenascentista italiano, permaneceu de pé enquanto o entorno se transformava. Hoje, a bodega ocupa um quarteirão na zona urbana de Godoy Cruz, município que faz parte da Grande Mendoza. É possível chegar até ela de ônibus, a poucos minutos do centro da cidade.

Esse contraste gera uma experiência singular. O visitante sai do trânsito e entra em um espaço onde tonéis de carvalho francês com capacidade para milhares de litros ainda ocupam os mesmos salões de décadas atrás. A construção mantém elementos arquitetônicos originais, incluindo um subsolo projetado para manter temperatura estável de forma natural.

De produtora rural a polo cultural urbano

A mudança de contexto geográfico trouxe também uma mudança de função. A vinícola histórica argentina não apenas continuou produzindo vinhos, como se reinventou. Em seu interior, funciona o restaurante 1884, comandado pelo chef Francis Mallmann, um dos nomes de referência da gastronomia latino-americana. O espaço também recebe eventos culturais, degustações e visitas guiadas.

Essa adaptação foi essencial para a sobrevivência da bodega. Sem os vinhedos ao redor, a produção passou a depender de uvas cultivadas em outras áreas da província, especialmente no Valle de Uco e em Luján de Cuyo. As linhas de vinhos da Escorihuela Gascón incluem rótulos elaborados com MalbecCabernet Sauvignon e Chardonnay, entre outras variedades.

A vinícola também se tornou um ponto turístico acessível. Diferente de bodegas localizadas em regiões remotas, ela não exige deslocamento longo. Para quem visita Mendoza, é uma parada prática que combina história, arquitetura e enogastronomia em um único lugar.

O que o caso da vinícola histórica ensina sobre vinho e cidade

A história da Escorihuela Gascón ilustra uma tensão que existe em diversas regiões produtoras. O avanço urbano ameaça áreas de cultivo, eleva o valor da terra e transforma o entorno das propriedades. Em Mendoza, leis de ordenamento territorial tentam proteger zonas agrícolas, mas a pressão imobiliária continua.

Ao mesmo tempo, a presença de uma bodega centenária no meio da cidade funciona como lembrete vivo da origem agrícola da região. É um patrimônio que conecta o presente ao passado e mostra que, mesmo cercada por concreto, uma vinícola histórica pode manter relevância. Basta encontrar novas formas de existir.

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Este é um artigo original do O Cabernerd, um blog da TodoVino — Imagem: Escorihuela Gascón

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