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A palavra Chianti e o seu primeiro registro na história

A palavra Chianti e o seu primeiro registro na história

Descubra como a palavra Chianti surgiu pela primeira vez em 1398, numa carta da família Mazzei, e por que isso mudou a história do vinho italiano.


Existem palavras que carregam paisagens inteiras. Basta pronunciá-las para sentir o aroma de terra, sol e tradição. A palavra Chianti é uma delas. Hoje, ela identifica uma das regiões vinícolas mais célebres do planeta. Porém, houve um momento exato em que alguém a escreveu pela primeira vez. E essa história tem nome, data e sobrenome.

Como a palavra Chianti surgiu em uma carta de 1398

O ano era 1398. Ser Lapo Mazzei, notário e homem de confiança do mercador Francesco di Marco Datini, redigiu uma carta ao amigo. Nela, usava a palavra Chianti para descrever um vinho tinto produzido nas colinas da Toscana. Não se tratava de um documento oficial nem de um decreto real. Era uma correspondência pessoal, direta, quase íntima. Ainda assim, esse registro se tornou o primeiro uso documentado do termo que hoje vale ouro no universo do vinho.

A troca de cartas entre Mazzei e Datini foi preservada ao longo dos séculos. O acervo, guardado no Arquivo de Estado de Prato, reúne cerca de 150 mil documentos. Entre tantos registros, está justamente a menção que conecta para sempre o nome Mazzei à origem do nome Chianti. Foi ali que a palavra Chianti ganhou tinta, papel e permanência.

Por que a família Mazzei é tão relevante para a história do Chianti

Desde aquela carta do século XIV, a família Mazzei nunca se afastou do vinho. Ao contrário: aprofundou sua relação com a terra e com a viticultura toscana geração após geração. Hoje, mais de seis séculos depois, a família segue à frente da Marchesi Mazzei, uma das vinícolas mais respeitadas da Itália.

A propriedade principal, o Castello di Fonterutoli, fica no coração do Chianti Classico, sub-região considerada o berço histórico dos vinhos da denominação. Ali, a uva Sangiovese encontra altitude, solo rochoso e amplitude térmica ideais para expressar complexidade e elegância. O vinho que Ser Lapo mencionou certamente era bem diferente do que se produz ali hoje. Mesmo assim, o fio condutor permanece: a mesma região, o mesmo espírito, a mesma família.

Ao longo dos séculos, os Mazzei também participaram de momentos decisivos fora do vinho. Filippo Mazzei, no século XVIII, foi amigo de Thomas Jefferson e ajudou a difundir ideias iluministas nos Estados Unidos. Embora esse capítulo seja político, e não enológico, ele ilustra o alcance e a influência da família em diferentes esferas.

O peso que uma palavra carrega

A história do Chianti não começa e termina naquela carta, é claro. Contudo, o documento de 1398 funciona como uma certidão de nascimento simbólica. Antes dele, o vinho da região já existia. Depois dele, passou a ter um nome registrado, reconhecível, capaz de viajar pelo mundo. A palavra Chianti deixou de ser apenas uma referência geográfica e se transformou em símbolo.

Hoje, essa mesma palavra aparece em rótulos distribuídos em dezenas de países. Ela evoca colinas cobertas de vinhedos, ciprestes alinhados em estradas de terra e jantares longos sob a luz dourada do entardecer toscano. Poucas denominações de origem carregam tanta carga emocional e histórica ao mesmo tempo.

Entender como a palavra Chianti surgiu nos ajuda a olhar para o vinho com outros olhos. Cada garrafa dessa denominação carrega, de certa forma, o eco daquela carta escrita há mais de seiscentos anos. E cada gole conecta quem bebe a uma linhagem que atravessou guerras, transformações e modas sem perder a identidade.

Por isso, da próxima vez que você abrir um Chianti Classico, lembre-se de Ser Lapo Mazzei. Ele não imaginava que uma simples menção em uma carta pessoal se tornaria o marco zero de uma das palavras mais poderosas do vinho. Mas foi exatamente o que aconteceu.

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Este é um artigo original do O Cabernerd, um blog da TodoVino

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