
Alsácia ou Borgonha: quem tem a rota mais antiga da França?
Alsácia e Borgonha disputam a rota mais antiga da França. Conheça os vilarejos, as paisagens e a melhor época para visitar cada uma.
Bordeaux costuma ocupar quase todo o imaginário do brasileiro quando o assunto é vinho francês. Só que duas outras regiões guardam algumas das estradas mais bonitas do país. E ainda disputam um título curioso: o de rota mais antiga da França. Na Alsácia, vilarejos coloridos se espalham ao pé das montanhas. Já na Borgonha, encostas cobertas de videiras são recortadas por antigos muros de pedra.
Borgonha: uma estrada entre muros de pedra

A Route des Grands Crus começa em Dijon e segue para o sul por cerca de 60 quilômetros, sempre colada às encostas. É um trajeto curto, feito para ser percorrido devagar. Os vinhedos sobem em faixas estreitas, separadas por muretas e pequenos cercados de pedra seca. A cada poucos quilômetros, surge mais um vilarejo de pedra clara, com a torre da igreja despontando entre os telhados.
Esse mosaico de parcelas, chamadas de climats, é patrimônio mundial da Unesco. Em muitas casas de vinhateiros, os visitantes descem a adegas antigas para provar o vinho onde ele é feito. No meio do caminho, o castelo do Clos de Vougeot aparece sozinho entre as videiras, lembrança dos monges que plantaram aquelas encostas há quase mil anos.
Beaune é a parada obrigatória. Dentro das muralhas da cidade fica o Hôtel-Dieu, antigo hospital do século 15. Seus telhados de cerâmica colorida, em desenhos geométricos, viraram símbolo da Borgonha. Além do carro, a estrada pode ser feita de bicicleta, a pé, a cavalo e até de balão. Lá de cima, o desenho dos vinhedos fica ainda mais impressionante.
Alsácia: vilarejos coloridos ao pé das montanhas

A Route des Vins d’Alsace propõe outra viagem. São cerca de 170 quilômetros na faixa onde as montanhas dos Vosges encontram a planície do Reno. Placas verdes guiam o visitante por estradas estreitas que ligam dezenas de vilarejos, um a poucos minutos do outro.
Os vilarejos são o grande espetáculo. Casas em enxaimel pintadas de amarelo, rosa, azul e verde se apertam em ruas de pedra, com janelas carregadas de gerânios no verão. No alto das colinas, ruínas de castelos medievais vigiam os vinhedos. Em vários telhados, ninhos de cegonha, ave que virou símbolo da região, completam a cena.
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Eguisheim, construída em círculos ao redor de um castelo, já foi eleita o vilarejo favorito dos franceses. Riquewihr conserva muralhas e casas do século 16. Kaysersberg tem uma ponte fortificada sobre o rio e um castelo em ruínas no alto do morro. No centro do percurso, Colmar é a base natural da viagem. Seu bairro de casas coloridas debruçadas sobre canais está entre os cenários mais fotografados da França.
A influência alemã aparece na arquitetura, nos nomes das cidades e na mesa. Os pratos são fartos, como a tarte flambée, massa fina coberta de creme, cebola e bacon, e o chucrute servido com carnes e batatas. Nos vinhos, quase todos brancos, a Alsácia faz algo raro na França: o rótulo traz o nome da uva.
Afinal, quem tem a rota mais antiga da França?
Pelo calendário, a Borgonha leva vantagem, porque sua rota é de 1937, enquanto a alsaciana foi inaugurada em 1953. Até o site oficial de turismo da França faz uma ressalva ao dar o título à Alsácia. Segundo ele, a rota alsaciana é a mais antiga entre as que têm um selo oficial de enoturismo. Na contagem simples dos anos, portanto, a rota mais antiga da França fica na Borgonha.
Para quem viaja, essa disputa pesa pouco. A Borgonha é uma viagem concentrada, ideal para caminhar entre vinhedos célebres em poucos quilômetros. Já a Alsácia pede vários dias e combina com quem gosta de pular de vilarejo em vilarejo.
Quando ir e como se preparar
Setembro e outubro são os meses mais bonitos nas duas regiões. É a época da vindima, quando as folhas das videiras ficam douradas e avermelhadas e os vilarejos se enchem de festas. Na Alsácia, as ruas chegam a ter cheiro de uva fermentando.
Maio e junho são uma alternativa mais tranquila, com dias longos, temperatura agradável e menos turistas. Julho e agosto trazem multidões, sobretudo nos vilarejos mais famosos. Nesse período, vale chegar cedo pela manhã ou no fim da tarde. Em dezembro, a Alsácia vira outro destino, com mercados de Natal em Colmar, Estrasburgo e nos vilarejos da rota. A hospedagem para essa época esgota com meses de antecedência.

Na Alsácia, o trajeto completo leva de três a quatro horas sem paradas, mas o ideal é reservar de dois a três dias. A rota da Borgonha, por ser curta, pode ser explorada a partir de Dijon ou Beaune. Como degustação e direção não combinam, muitos visitantes revezam o motorista, contratam passeios guiados ou trocam o carro pela bicicleta. Nos vilarejos alsacianos, as ruas são estreitas, e um carro menor facilita a vida.
Seja qual for o veredito sobre a rota mais antiga da França, as duas estradas são jovens perto dos vinhedos que atravessam. Monges na Borgonha e famílias na Alsácia já cultivavam uvas ali séculos antes da primeira placa na beira do caminho.
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Este é um artigo original do O Cabernerd, um blog da TodoVino
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