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Mesa com pastéis, picanha fatiada, bolinhos de bacalhau, quindim e taças de vinho branco, tinto e Porto

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Do bacalhau ao churrasco: um vinho português para cada refeição

Vinhos portugueses vão do Vinho Verde ao Porto. Veja qual região e qual uva combinam com peixe, churrasco, pizza e sobremesa.


O Brasil compra muito vinho de Portugal. Em 2025, os portugueses foram o terceiro maior fornecedor do país em valor, atrás de Chile e Argentina, e o primeiro entre os europeus. Do outro lado do Atlântico, segundo a ViniPortugal, o Brasil é o segundo maior mercado dos vinhos portugueses, e o primeiro quando o Porto sai da conta. Só que, na mesa, a garrafa portuguesa ainda vive presa a um prato: o bacalhau da Páscoa e do Natal.

É pouco para um país com cerca de 250 uvas nativas. Portugal faz vinho branco para ostra, tinto que aguenta picanha na brasa, espumante para leitão e fortificado para sobremesa. Escolha pelo prato do dia, e não pelo calendário, e o país inteiro entra no seu cardápio. A regra cabe numa linha: litoral para peixe e fritura, interior para carne, Setúbal e Porto para o doce.

Por que os vinhos portugueses combinam com tanta coisa

Boa parte das regiões do mundo trabalha com uvas de origem francesa, como Cabernet Sauvignon e Chardonnay. Portugal seguiu outro caminho e guardou as próprias. Baga, Arinto, Encruzado e Castelão têm pouca presença fora do país, e cada região trabalha com um elenco diferente.

Outro traço português é a mistura. Um tinto do Douro raramente sai de uma uva só: junta quatro ou cinco castas locais, cada uma com um papel. O resultado são vinhos com camadas, que conversam com pratos muito diferentes. A costa faz o resto. O vento do Atlântico segura a acidez das uvas, e acidez é o que faz um vinho funcionar à mesa.

Peixe, fritura e pimenta pedem o litoral

Vinhedo em pérgula sobre pilares de granito, com névoa da manhã no norte de Portugal
Vinhedo em pérgula sobre pilares de granito, com névoa da manhã no norte de Portugal

No noroeste, a região dos Vinhos Verdes faz vinhos brancos leves, ácidos e aromáticos, com uvas como Loureiro, Arinto e Trajadura. Um Vinho Verde bem gelado acompanha frutos do mar, ceviche, pastel de feira e comida com pimenta, coentro e limão. Se o prato tiver mais personalidade, como uma moqueca, prefira um Alvarinho, mais intenso e preciso.

Mais ao sul, na Bairrada, a Baga dá tintos de tanino firme e um toque salino, e a região é uma das principais produtoras de espumante do país. O par clássico de lá é leitão assado com espumante. No Brasil, a mesma lógica funciona com torresmo e pururuca, porque a bolha e a acidez limpam a gordura da boca.

Perto da capital, a região de Lisboa faz vinhos brancos com influência marinha e tintos fáceis de beber. São boas garrafas para pizza, petisco de boteco e comida asiática apimentada.

Carne na brasa pede o interior

Socalcos de vinhedos em encosta de xisto acima do rio Douro no fim da tarde de outono
Socalcos de vinhedos em encosta de xisto acima do rio Douro no fim da tarde de outono

O Douro é um vale de encostas íngremes de xisto, plantadas em socalcos à beira do rio. Os tintos de lá são encorpados, com estrutura e fruta escura, e a Touriga Nacional dá o perfume floral que marca a região. Carne na brasa, cabrito e cozidos são os parceiros naturais.

No Dão, cercado de montanhas, a mesma uva ganha mais frescor e envelhece bem. Costela, assados de forno e pratos de inverno são o território dela. A região também tem o Encruzado, uva de vinho branco de textura densa, que aguenta carnes brancas e queijos curados.

No Alentejo, planície de sobreiros e verões muito quentes, a estrela é a Alicante Bouschet, uva de polpa tinta que dá vinhos de cor profunda e fruta madura. Com Aragonez e Trincadeira, ela forma tintos fáceis de abrir num churrasco de domingo, com picanha, linguiça e costela.

Sobremesa, e o bacalhau também

Na Península de Setúbal, ao sul de Lisboa, nasce o Moscatel de Setúbal, um fortificado doce e aromático que combina com doces de ovos, pudim e quindim. A região também é a casa da Castelão, uva de fruta vermelha que vai de tintos leves a vinhos de guarda. Ela é tão ligada ao Periquita, tinto produzido ali desde o século 19, que muita gente em Portugal chama a casta pelo nome do vinho.

E há o Porto, que nasce no mesmo vale do Douro. Um Porto Tawny, com notas de nozes e caramelo, fecha um jantar com queijo e goiabada, o romeu e julieta, ou com sobremesa de chocolate.

O bacalhau continua com vários parceiros no país: um tinto do Alentejo para a versão com batata e azeite, um vinho branco do litoral para os bolinhos. A diferença é que ele passa a dividir a adega com o resto da semana.

Com informações de Wine Enthusiast.

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